Os Centro de Atividades e Capacitação para a Inclusão (CACI) para pessoas com deficiências e incapacidades, constituem-se como uma resposta social, tendo como principal objetivo promover e disponibilizar condições que contribuam para uma vida com qualidade através do desempenho de atividades, sempre que possível na comunidade, com vista ao desenvolvimento das suas capacidades. O Centro de Atividades e Capacitação para a Inclusão da APPV surge em 1990, regulamentado pelo decreto-lei 18/89, no sentido de dar resposta a uma população que, por ter ultrapassado o limite de idade para frequentar os extintos Centros de Ensino Especial da Segurança Social e por não reunirem as condições para integrar cursos de formação profissional, ficariam sem resposta social. Assim, com o objetivo de salvaguardar que a profundidade ou extensão das limitações físicas ou mentais apresentadas pelas pessoas com deficiência não limitasse a sua integração social, o CACI da APPV foi desenvolvendo atividades ocupacionais tendentes, fundamentalmente, a assegurar condições de equilíbrio físico e psicológico.

As Atividades Ocupacionais, de acordo com o Decreto-lei, podem compreender as atividades socialmente úteis-que proporcionam a valorização pessoal e o máximo aproveitamento das capacidades da pessoa, no sentido da sua autonomia, facilitando uma possível transição para programas de integração socioprofissional e as atividades estritamente ocupacionais, que visam manter a pessoa, com deficiência mais grave, ativa e ocupada, favorecendo o seu equilíbrio físico, emocional e social.

Estas atividades não implicam uma vinculação às exigências de rendimento profissional ou de enquadramento normativo de natureza jurídico-laboral. Ao longo do tempo, esta resposta social da APPV, tem conhecido uma evolução. Hoje, com dinâmicas de trabalho que assumem uma abordagem sistémica, envolvendo diferentes parcerias e contextos na resolução dos problemas e na adequação das respostas às dimensões de complexidade dos seus clientes, continuamos a privilegiar a interação com a família e significativos e com a comunidade, no sentido de otimizar os níveis de participação social e de contribuir para a promoção de uma sociedade inclusiva.

Personalizar os serviços, gerindo de forma flexível e individualizada cada projeto de vida, constituiu-se como um imperativo da APPV. Assim, com a missão de promover os níveis de qualidade de vida dos seus utentes nas suas várias dimensões, a nossa intervenção é pautada por critérios de qualidade, de que se destacam os seguintes:

– Garantir o exercício de cidadania e respetivos direitos dos utentes, tais como, autonomia, privacidade, participação, confidencialidade, individualidade, dignidade, igualdade de oportunidades e não discriminação;

– Respeitar o projeto de vida de cada utente, bem como os seus hábitos de vida, interesses, necessidades e expectativas;

– Transmitir e garantir aos utentes um clima de segurança afetiva, física e psíquica, durante a sua permanência no CAO; – Promover o envolvimento e o estabelecimento de uma parceria e articulação estreita com o utente e/ou significativos, a fim de recolher a informação necessária sobre as necessidades, expectativas, capacidades e competências, coresponsabilizando-os no desenvolvimento de atividades/ações no âmbito dos serviços prestados;

– Desenvolver todas as relações a estabelecer entre os utentes, todos os intervenientes (colaboradores internos e externos, voluntários, entre outros) com ética, respeito pelos direitos e deveres, rigor e profissionalismo;

– Organizar dinâmicas de trabalho que proporcionem oportunidades, para que o utente possa comunicar os seus sentimentos e formular posicionamentos pessoais, sobre o que o envolve;

– Criar um ambiente calmo, flexível e responsável, adaptado aos interesses e necessidades de cada utente, permitindo-lhe continuar e ou otimizar o seu desenvolvimento individual;

– Orientar a prestação de serviços continuamente para o cliente, diagnosticando as suas necessidades e expectativas, os seus potenciais de desenvolvimento e criando oportunidades para o seu desenvolvimento; – Promover estratégias de reforço da autoestima, da valorização e de autonomia pessoal e social, assegurando as condições de estabilidade necessárias para o reforço da sua capacidade e autonomia.

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